segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Meio ambiente e Cultura



Da esquerda para a direita: liderança Xavante, Jacinto Tsororawe e Daniel Apïmama, cacique dos Juruna. Foto: amanda frança



Entrevista



Cacique Daniel Apïmama, do povo Juruna, conversa com liderança do povo Xavante, o professor Jacinto Tsororawe sobre problemas ambientais da atualidade.

Apïmama – Parente, o que o povo Xavante pensa sobre meio ambiente?

Tsororawe - O povo Xavante tem uma relação muito forte com o meio ambiente, ele é muito importante para nós, por que sem o meio ambiente ninguém vive. É do meio ambiente que retiramos nosso alimento, os materiais para a construção de nossas casas e os remédios para a manutenção de nossa saúde. Além disso, o povo Xavante vê a natureza como uma energia de bem estar, sua proximidade traz sons , espíritos de harmonia e tranquilidade para a aldeia. Preservando a natureza também preservamos nossas tradições que tem origem direta nela, por isso o meio ambiente é bem cuidado e respeitado na cultura Xavante.

Apïmama - Como os nossos jovens da cultura Xavante são ensinados a cuidar do meio ambiente?

Tsororawe – A gente ensina por meio da nossa experiência, nossos jovens respeitam e preservam o meio ambiente através dos conhecimentos de nossos antepassados, em caça, extração de plantas medicinais, de raízes, da madeira e pela confecção de brincos que marcam a identidade Xavante. A grande familiaridade que nossos jovens possuem com a natureza os deixa conscientes de que nós somos parte dela e que se a gente colocar fogo na floresta, por exemplo, isso apenas não mata diversas espécies, como também a nós mesmos que dependemos delas para viver.


Apïmama – Parente, o que você acha que nós, indígenas do Brasil, devemos fazer para mudar a triste situação do meio ambiente no país?

Tsororawe – Basta que se tenha união entre os diversos povos indígenas do país com os não indígenas que lutam pelo meio ambiente. É preciso reunir as diversas formas de pensar para que possamos trocar ideias e assim estabelecer um diálogo que afinal, é para um bem comum. Além disso, é necessário que os governantes ouçam o que os povos indígenas tem a dizer e reconheçam seus estilos de vida ,suas tradições e conhecimentos como solução para os problemas ambientais e sociais da vida urbana.
Deve haver maior divulgação da cultura indígena pela mídia, o que conscientizaria a população de que todos saem perdendo com a extinção de tamanha riqueza de conhecimentos, e em sua maioria ainda não descobertos e estudados.
Não é preciso que se levante armas para solucionar as questões de meio ambiente no Brasil, se isso é feito é porque não deram às comunidades indígenas a oportunidade do diálogo, e então nossos parentes sem alternativas de ação tiveram que defender com as próprias mãos o direito a terra, alimento e cultura, direitos assegurados pela constituição a todos os cidadãos brasileiros.



colaboração: Amanda França (3° período de Jornalismo na UFG)





























































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