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| Foto: Rosilene Xavier |
É essa a hora
que tem que sair de casa para chegar ao trabalho às 8h. Antes de enfrentar os
congestionados ônibus, tem que andar. A caminhada dura em torno de 15 minutos,
dependendo do nível de atraso ou da sensação de estar sendo seguida.
A causa da
atividade física matutina é a de que em seu bairro não há linha de ônibus.
Vivendo ali há dois anos, já ouviu as mais variadas histórias. A última foi a
de que o asfalto não aguenta a circulação do transporte público.
Ora,
aparentemente, nenhum asfalto da cidade aguenta, já que em apenas alguns meses,
é possível se ver uma imensidão de buracos nas ruas que, rapidamente, tornam-se
quase crateras. E não se pode se desculpar de um problema, apontando outro.
Enquanto
pensa nisso, anda pelas ruas de casinhas iguais em que se vivem pessoas com
realidades tão diferentes. Assegura-se a casa, mas se deixa a merecer a vida,
pelo menos a digna. Passada algumas horas as ruas estarão cheias, principalmente
de crianças. Muitas ainda não conseguiram escolas e creches.
Ao chegar no
ponto de ônibus já não se sente só, há dezenas de pessoas a espera do mesmo
transporte. Dentro do ônibus, vê as mais variadas situações: alguns dormem,
outros leem, conversam e gritam com o motorista. Há também os que aproveitam da
distração alheia para conseguir uma renda extra.
No entanto,
são poucos os que se olham. Perdidos dentro de si próprio ou da vista além da
janela, nem ao menos os cordiais “licença, por favor e desculpe” são ouvidos.
Pessoas que estão limitadas à um espaço tão pequeno, por um longo tempo, praticamente
todos os dias e que muitas vezes nem de vista se conhecem.
Depois da
rotina trabalho/estudo/sobrevivência, volta para o jardim, seu Jardim Scala.
Plantam-se bairros, mas ainda faltam muitas flores para que os moradores tenham
seus direitos garantidos. Pelo menos alguns.

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