A multiplicidade, contrastes e desigualdades presentes no Brasil
perpassam a vida dos mais de 50 milhões de jovens
Por: Wanderson André

Foto: Ismael Albertino
Brasileiros e brasileiras traçam sua trajetória em meio aos
desafios que a sociedade apresenta. A busca pela inserção é
constante. O medo de “sobrar” é cotidiano, o desemprego juvenil
e marginalização social são evidentes nas periferias. O jovem
Ikaro Xavier de Bastos, de 21 anos, filho de mãe solteira, não
conseguiu terminar o ensino médio. As séries que conseguiu cursar
foram todas em escolas públicas. O pai o abandonou quando ainda era
criança, viveu sua infância na casa de sua avó na rua três no
conjunto Itatiaia em Goiânia. Como a maioria dos negros, foi vítima
de preconceito racial por parte da vizinhança, passou por diversas
situações constrangedoras por causa de sua cor.
A ausência do referencial paterno e a falta de estrutura familiar
contribuíram para o mal desempenho durante a vida escolar. Para
suprir o déficit de carinho e atenção, Ikaro se queixou do
despreparo dos profissionais da educação para lidar com o pouco
acompanhamento familiar nas periferias: “Acho que existe muito
abuso de autoridade e falta de paciência dos coordenadores e
professores”. O jovem estudou até o primeiro ano do segundo grau.
Cada vez mais a escassez de oportunidades se perpetua entre a classe
mais baixa, infelizmente esta realidade tem se tornado um ciclo
vicioso.
Foto: Ismael Albertino
O assistencialismo pregado pelo governo é fantasioso, é necessário
a criação de políticas públicas que combata a dura realidade dos
jovens das periferias. Como reflexo da desilusão e descrença em
relação ao país em que vive, o maior sonho de Íkaro é morar em
Nova Jersey nos Estados Unidos, mas, a falta de dinheiro o impede de
realizar seu desejo. Atualmente, Íkaro mora sozinho em uma
residência alugada. Com a morte de seus avós, sua família se
fragmentou, a casa em que vivia foi vendida e cada um dos seus
parentes seguiu o seu caminho. Para sobreviver, o jovem vende peças
de vestuário como óculos, bonés, camisetas e etc.
Foto: Ismael Albertino
Ikaro Xavier tem como hobby e paixão andar de skate, a pista
localizada no Itatiaia para a prática do esporte é quase sua
segunda casa. A matéria prima que utiliza para sobreviver são
escolhidas de acordo com o gosto dos seus amigos skatistas. O jovem
contou que o esporte que pratica se tornou sinônimo de desordem e
baderna no setor em que mora. A presença da polícia nos lugares
onde os skatistas se reúnem é cada vez mais frequente. O ambiente
opressor, causado pelos ditos representantes da lei, tira a liberdade
dos jovens de ir e vir.


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