Orlando de Moraes: vidas em construção
Uma escola vazia. Esta foi a primeira imagem que os alunos de jornalismo
da Universidade Federal de Goiás tiveram do bairro Orlando de Moraes, a
primeira de muitas. Seguiram-se a essa imagem, telhas, tijolos, cimento,
crianças sorrindo, chorando, pessoas conversando, trabalhando, passeando,
seguindo o ritmo de suas vidas. Vidas que tal como a maioria das casas do
bairro, estão em construção. São novos ares, novos lares, um novo cotidiano...
e uma velha realidade sem perspectivas de uma vida mais digna, de um futuro
genuinamente promissor. Talvez um reflexo daquela escola vazia, do início deste
texto. Encontrar pessoas não era difícil, receptivas ou com vergonha a conversa
fluía fácil. Gente simples com a vida complexa, dificuldade com tudo, crianças
sem chances de estudar, pais trabalhando para sobreviver e imagens belas no
meio da grande poeira de terra vermelha.
Cachorros e cavalos, sapatos e mochilas, brinquedos e entulho pelas
ruas... era difícil saber por quanto tempo aquelas coisas estavam ali. A quanto
tempo a esperança estava ali, esperança de completar a obra, de conseguir vaga
na escola para os filhos, esperança de povo brasileiro, sofrido e feliz, que
luta todo dia e ao encontrar um aglomerado de jovens com câmeras na mão sorri,
e conversa, e proseia e mostra seus filhos, pais mãe e tios. Felicidade. Daquelas
que não se encontra em qualquer lugar, mas foi encontrada na obra, na casa, nas
vidas, do Orlando de Moraes. Vidas em construção.
Carolina Otto e Vitória Caetano.

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